“Quem manda de fato na Bahia?” — A força da oposição à prova diante de uma grave crise ambiental

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No estado da Bahia, o bloco opositor liderado pelo ACM Neto (União Brasil) e fortalecido por alianças com João Leão e Cacá Leão (Progressistas) tem ganhado musculatura política significativa.  Ao mesmo tempo, pesquisas apontam que o grupo governista liderado pelo Jerônimo Rodrigues (Partido dos Trabalhadores) enfrenta desgaste, abrindo espaço para que a oposição amplie sua influência. 

O caso do aterro sanitário e o poder real

O símbolo dessa contradição entre força aparente e controle efetivo do Estado é o caso do aterro localizado em Simões Filho — o empreendimento operado pela Recycle Waste Energy Tratamento de Resíduos Ltda. (antiga Naturalle Tratamento de Resíduos Ltda.) que opera sobre o Aquífero São Sebastião, uma das maiores reservas de água doce do estado, abastecendo a capital e região metropolitana. 

Apesar de parecer um empreendimento com licenciamento estadual, o aterro se desenvolve com suporte e articulações políticas que envolvem forças de oposição ao governo do estado. Um dos artigos de imprensa mais contundentes afirma:

“Na Bahia, oposição manda mais que o governo: aterro sanitário de Simões Filho passa por cima da lei com apoio político.” 

Elementos que indicam domínio da oposição


• A empresa operadora está ligada a pessoas próximas ao ex-governador Paulo Souto, figura histórica da oposição baiana.
• O pedido de ampliação da operação do aterro, que aumentaria drasticamente a carga de resíduos, foi apresentado mesmo com alertas contrários de órgãos ambientais e de saneamento.
• Mesmo com a reserva hídrica em risco e com forte mobilização de comunidades locais, o andamento do aterro parece protegido — o que sugere uma força extra-governamental atuando como poder real.

O paradoxo: oposição forte, governo fragilizado

Apesar desse contexto favorável à oposição, o próprio governo estadual parece reconhecer sua fragilidade institucional. O líder da base governista na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Rosemberg Pinto, reconhece que há oposição forte e que os espaços de atuação política se ampliam. 

Por outro lado, há críticas de que a bancada oposicionista não teria força suficiente para medidas formais como a abertura de uma CPI.  Esse elemento revela o quão ambígua é a situação: aprovação eleitoral ou política não significa necessariamente poder instituído ou controle sobre o Estado.

Consequências para o estado e para a população


• A usurpação de poder real por uma força que não está formalmente à frente do governo abre caminho para violações ambientais e democráticas, como no caso do aterro sobre o aquífero.
• A ameaça de colapso hídrico na Região Metropolitana de Salvador (RMS) torna esse jogo de poder ainda mais grave: não é apenas disputa política, é risco concreto à vida de milhões.
• A percepção de impunidade e de controle paralelo mina a confiança pública no sistema político e institucional.

Conclusão

A oposição na Bahia fala alto e age forte — talvez com mais ascendência do que o governo estadual efetivamente exerce em determinados casos. O episódio do aterro em Simões Filho coloca isso em evidência: não apenas uma empresa instalada com riscos ambientais, mas uma rede de poder político que opera à margem da fiscalização formal.

Se o governo estadual quiser recuperar autoridade, será preciso reagir — não só discursivamente, mas com ação efetiva, transparência e controle institucional. Caso contrário, veremos o Estado se curvar às engrenagens paralelas da política e da economia.

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