Na Bahia, Oposição Manda Mais que o Governo: Aterro Sanitário de Simões Filho Passa por Cima da Lei com Apoio Político
A Bahia assiste, perplexa, a um escândalo ambiental sem precedentes. O aterro sanitário instalado sobre a área do Aquífero que abastece a Região Metropolitana de Salvador — operado pela Recycle Waste Energy Tratamento de Resíduos Ltda. (antiga Naturalle) — acaba de solicitar uma ampliação gigantesca: pretende aumentar em quase seis vezes a capacidade de operação, saltando para 2.711 toneladas de resíduos por dia .
O pedido consta no processo 2025.001.002931/INEMA/LIC-02931, apresentado ao INEMA, e prevê alteração da licença ambiental com aumento da carga poluidora das emissões líquidas, sólidas e gasosas, assumindo publicamente que haverá “agravamento dos impactos ambientais” . Trata-se de um empreendimento Classe 6 – Porte Grande, instalado na Fazenda Rancho Alegre / Palmares, zona rural de Simões Filho, que opera desde 2020 sob um conjunto de licenças (LO, LI, ASV, RLP) .
Risco ao Aquífero e à Saúde Pública
Lideranças locais denunciam que figuras ligadas ao União Brasil, partido de oposição ferrenha ao governador da Bahia, estariam atuando para manter o aterro funcionando acima do aquífero e para aprovar a ampliação, apesar dos alertas ambientais. O controle do empreendimento é atribuído a pessoas próximas do ex-governador e aliados de ACM Neto, usando prestígio e poder para impor sua vontade ao governo estadual e ao INEMA.
Enquanto isso, vereadores e lideranças políticas de Simões Filho permanecem de joelhos, aprovando silenciosamente medidas que favorecem os interesses da empresa e fechando os olhos para os impactos devastadores no aquífero. Essa omissão fragiliza a própria autonomia do município, coloca a população em risco e dá carta branca para que empreendimentos de alto impacto operem sem controle efetivo.
O aterro está assentado sobre o Aquífero Joanes-Ipitanga, responsável pelo abastecimento de água potável de milhões de pessoas na Região Metropolitana de Salvador. O aumento da carga poluidora poderá causar contaminação irreversível das águas subterrâneas. Com isso, comunidades inteiras, hospitais, escolas, indústrias e comércio podem ficar sem fornecimento seguro de água, afetando a saúde pública, a economia e a qualidade de vida de toda a região.
E não é só a água: o mau cheiro vai se multiplicar, se espalhando por quilômetros, atingindo bairros inteiros e empresas vizinhas. A quantidade de ratos, baratas, urubus, moscas e mosquitos vai explodir de forma descontrolada, trazendo risco de doenças, degradação da qualidade de vida e desvalorização de imóveis e empreendimentos da região. Empresas que hoje geram empregos podem ser obrigadas a reduzir atividades ou até fechar as portas devido às condições insalubres.
Além disso, a possibilidade do chorume infiltrar no solo e atingir poços profundos e lençóis freáticos é altíssima — e, uma vez contaminado o aquífero, não há retorno. Esse é um risco que ultrapassa as fronteiras de Simões Filho: é um risco para toda a Bahia.
Ação da Justiça e Clamor Popular
Diante desse cenário, o padre Cristian, da Fazenda do Natal, entidade religiosa vizinha ao aterro, acionou a Justiça pedindo providências urgentes. Atendendo ao pedido, o juiz determinou perícia judicial na área, marcada para terça-feira, 30 de setembro. Peritos credenciados pelo Tribunal irão avaliar in loco os impactos ambientais do empreendimento — um passo histórico na tentativa de frear o avanço do desastre.
Mas não basta a perícia. É necessário que a sociedade civil se mobilize, que a imprensa repercuta e que os órgãos de fiscalização atuem de forma rigorosa e independente.
Chamado Direto às Autoridades
Onde estão o governador Jerônimo Rodrigues, seu secretariado e o próprio INEMA para frear esse desastre? Onde estão os deputados estaduais na Assembleia Legislativa para fiscalizar e abrir CPIs? Onde estão os deputados federais e senadores baianos para levar o tema à Câmara e ao Senado?
E mais: onde está o Ministério Público Estadual e Federal, que têm a obrigação legal de agir para prevenir crimes ambientais dessa magnitude? A omissão diante de um risco tão evidente pode caracterizar conivência.
Se o governo da Bahia não se posicionar imediatamente, a mensagem que ficará para a população é de que a oposição política manda mais que o próprio governo, colocando interesses privados acima do interesse público e da segurança ambiental do estado.
Apelo Final à População
É hora de os baianos levantarem a voz. Se a sociedade não reagir, o resultado será uma catástrofe ambiental sem precedentes. É preciso compartilhar esta denúncia, pressionar os representantes, cobrar respostas e exigir providências imediatas.
O futuro da água de milhões de pessoas está em jogo. O silêncio hoje pode ser o colapso amanhã.
Não se trata apenas de um aterro. Trata-se do direito à água limpa, à saúde, à dignidade e ao futuro de toda uma região.
